Ecossistemas são sistemas ecológicos formados por seres vivos (bióticos)
e elementos não vivos (abióticos) que interagem entre si e com o meio, como,
por exemplo, um lago e uma floresta. São considerados bióticos os organismos
vivos que habitam determinado ecossistema e constituem a biota: seres humanos,
plantas, animais, microrganismos animais e vegetais. Os elementos abióticos que
compõem um ecossistema são: minerais (rochas, petróleo), clima, luz solar e
temperatura. São elementos que influenciam o comportamento dos seres bióticos.
Os ecossistemas podem ser classificados:
1) Quanto às características físicas do meio em: terrestres – a exemplo
do pantanal e dos campos; e aquáticos – como os manguezais; os rios, os mares e
os oceanos.
2) Quanto à intervenção humana em: naturais – rios, oceanos, mares,
florestas; e artificiais – reservatórios, plantações.
A soma de todos os ecossistemas constitui a biosfera, que corresponde à
porção do planeta Terra onde existe vida.
A manutenção dos ecossistemas acontece devido à luz do sol, que é a
principal fonte de energia. Além dela, outras fontes primárias de energia são
encontradas na natureza e podem gerar energia direta – como o petróleo, o
carvão mineral, o gás natural, a energia eólica (do vento), a hídrica (da
água), a biomassa (origem vegetal e animais), a energia oceânica (das ondas e
marés) e a geotérmica (do calor originado pela Terra). Esses recursos naturais
são imprescindíveis para a vida na Terra e para o desenvolvimento econômico da
sociedade. Essas fontes de energia podem ser:
1) renováveis – que se renovam naturalmente, como, por exemplo, a
energia eólica; e
2) não renováveis – que não têm a capacidade de renovação, como, por
exemplo, o petróleo, cuja formação leva milhões de anos.
As fontes secundárias de energia são transformadas a partir das fontes
primárias, gerando eletricidade, gasolina, vapor e outros produtos.
A energia solar pode ser capturada, a exemplo do que acontece com os
aquecedores e fornos solares. Ela pode ainda ser transformada em energia
elétrica e armazenada para servir à iluminação e à movimentação mecânica de
máquinas. Como se pode observar, é grande o poder da energia solar, que é uma
fonte de energia renovável.
Com a finalidade de garantir o funcionamento dos ecossistemas de forma
equilibrada, acontecem dois fluxos na natureza: o fluxo de energia e os ciclos
biogeoquímicos.
O fluxo de energia inicia-se pela fotossíntese e chega ao ser humano
pela cadeia alimentar. Tomemos como exemplo o Sol, que é a fonte de energia que
mantém o ecossistema. A energia solar é capturada pelos organismos vivos, que a
transformam em energia química, elétrica e mecânica.
A energia solar é transformada em energia química pela fotossíntese, que
é o processo de absorção da luz, por meio do qual os vegetais produzem
alimento. As plantas são consideradas seres vivos autotróficos, porque produzem
seu próprio alimento. Pela fotossíntese, os vegetais convertem dióxido de
carbono, água e minerais em compostos orgânicos e liberam o oxigênio necessário
para a manutenção de plantas, animais e seres humanos.
As espécies que vivem num mesmo ambiente se alimentam e servem de
alimento umas às outras, formando a cadeia alimentar, pela qual a energia é
transferida. Os níveis tróficos, ou "elos", dessa cadeia são chamados
de produtores, consumidores (primários, secundários e assim por diante) e
decompositores. Os produtores (um ou mais vegetais) servem de alimento aos
consumidores. Os decompositores se alimentam de restos mortais de consumidores
e produtores, transformando esses restos em elementos inorgânicos, que são
repostos no solo, para serem absorvidos pelos produtores, iniciando um novo
ciclo. Podemos citar o seguinte exemplo de cadeia alimentar:
Folha de uma planta → lagarta → ave → raposa → decompositores.
Nesse exemplo, a folha de uma planta é o produtor (1º nível trófico da
cadeia alimentar); a lagarta representa o consumidor primário (2º nível trófico
da cadeia alimentar); a ave e a raposa são, respectivamente, os consumidores
secundário e terciário (3º e 4º níveis tróficos da cadeia alimentar); e os
decompositores formam o último elo da cadeia trófica, encerrando um ciclo.
Além do fluxo de energia, o funcionamento dos ecossistemas acontece
também devido aos ciclos biogeoquímicos,que são movimentos cíclicos de
elementos que constituem os seres vivos (componente "bio") e o
ambiente geofísico (componente "geo"). São considerados ciclos de
elementos químicos movimentados do meio físico para os seres vivos e
vice-versa, de forma que permitem a contínua renovação da vida no planeta, por
meio do reaproveitamento dos nutrientes e de sua posterior devolução à água, ao
solo e ao ar. Um exemplo desse ciclo é o que ocorre quando uma planta morre e
as bactérias que vivem no solo fazem o processo de decomposição: os sais
minerais, a água e outros elementos são recuperados pelo solo, iniciando novo
ciclo de reaproveitamento por outras plantas.
Outro exemplo é o ciclo da água: a água de oceanos, rios e lagos evapora
com o calor do sol, dando origem às nuvens que devolvem a água à superfície em
forma de chuvas.
Por que os ecossistemas são importantes? Eles oferecem serviços
ambientais para suprir as necessidades de sobrevivência dos seres vivos.
A Organização das Nações Unidades (ONU) divulgou em 2005 a Avaliação
Ecossistêmica do Milênio (AEM), um estudo que analisou o estado de uso da
natureza pelos seres humanos. Esse estudo subdividiu os serviços ambientais em
quatro categorias: três que afetam diretamente os seres humanos e uma que serve
de suporte para as demais categorias:
1) serviços de suporte – incluem a ciclagem de nutrientes (passagem de
nutrientes do meio biótico para o abiótico e vice-versa), a produção de
oxigênio, o sequestro de carbono (conceito definido pelo Protocolo de Kyoto,
que significa captura e armazenagem de gás carbônico eficaz para a minimização
do efeito estufa) e a formação dos solos;
2) serviços de provisão – oferecem alimentos, água doce, madeira, fibras
e combustível;
3) serviços reguladores – regulam o clima, as enchentes, a qualidade da
água e controlam as doenças, proporcionando um ambiente saudável;
4) serviços culturais – relacionam-se a valores estéticos, espirituais,
religiosos, educacionais e de lazer (inclusive o ecoturismo ou turismo
ecológico), contribuindo para a manutenção da saúde mental.
O conjunto desses serviços ambientais forma o capital natural do
planeta.
Quando se trata de ecossistemas, é preciso fazer uma conexão com a
biodiversidade, que é a variedade de patrimônio genético vivo no planeta Terra
e que deve ser preservada, pois é a base de todos os serviços ambientais,
essenciais à vida. A importância da preservação da biodiversidade é a base para
o desenvolvimento sustentável da sociedade, considerando aspectos econômicos,
sociais e ambientais.
Apesar da importância dos ecossistemas e da biodiversidade para a
sobrevivência, a sociedade moderna está negligenciando o capital natural do
planeta. A partir da Revolução Industrial iniciada em meados do século XVIII, o
modo de produção socioeconômico demonstra ser insustentável do ponto de vista
ambiental, ameaçando o futuro da vida (inclusive a humana) na Terra.
A AEM alertou a sociedade para a necessidade de conservação, manejo e
uso sustentável dos ecossistemas e seus serviços. Apontou também questões como
a seca, a falta de acesso à água, a perda da biodiversidade, a poluição e as
mudanças climáticas que geram ameaças aos ecossistemas. Também sugeriu que
esforços coordenados dos setores governamentais, empresariais e da sociedade
civil precisam ser mobilizados para melhor proteger o capital natural. Segundo
esse estudo da ONU, a produção de energia, alimentos e água melhorou as
condições de saúde e de vida da população mundial, mas, por outro lado, foi
responsável pela degradação ambiental. As mudanças nos ecossistemas estão
ocasionando altos custos socioeconômicos para os países, em decorrência de
enchentes, incêndios, tempestades, secas e terremotos, tornando insustentável a
reprodução dos hábitos atuais de consumo.
Diante desse panorama mundial relacionado aos ecossistemas, a reflexão é
sobre o que estamos fazendo para modificar os paradigmas e os padrões culturais
que formatam o modelo atual de desenvolvimento pautado pela produção industrial
e pela cultura do consumo exacerbado, sem a reflexão a respeito de suas
consequências e da sustentabilidade desse modo de vida a longo prazo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Oi! Obrigada por visitar e comentar! Assim que possível responderei você aqui no blog! Volte sempre! :)